Publicado: julho 22, 2013 em @poetarafael

Por ela a

pele pelou.

Aqueceu

quente

com carinho

e clamou.

Quis e foi-se fértil,

com fome mesmo sendo sabor.

Pela pintura pura dos pés,

andou, andou,

amou um monte chão,

e chato não teu andar, mas olhar ficou.

 Do descanso, o canto calmo de vida.

Viu noites netunas, saturnas, compridas.

Imaginou,

despiu,

viveu,

subiu.

 Flutuou e flertou forte uma flor em céu de paixão.

Acordou,

rezou,

partiu e andou,

andou,

até voltar a amar,

a clamar pele pelada,

nua,

sua,

sempre a mesma de imensidão.

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Como queria

 Como queria ver a poesia nua,

sem vírgula,

sem letra,

sem dia,

sem alma,

viva e flutuando em ar de meio dia.

Queria vê-la para ter a certeza do teu bem em meu corpo,

que solto ao vento passaria

a brincar com o tempo,

tudo de novo,

de noite,

junto à poesia do meio dia.

 Como queria ter poesia,

entre dedos, falante, em alegria.

Poesia que encantasse seios,

Boca, medos

Calafrios.

Só para ser sol de meio dia.

Como queria ter metade de dia com tudo que há na poesia.

Sua forma informal, seu mel, seu sal.

Seu jeito meu, teu, dentro do nosso quintal.

Acordando tarde, do nosso lado, ao meio dia.

Como queria ter o meio do dia para ser aquilo que és uma poesia.

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Quando um sorriso persiste em te atingir

é porque dele há ainda espaço para paixão.

Nele ainda existem sabores de uma vida

que ao nascer em risada

faz o mundo girar,

girar

e voltar onde tudo se iniciou.

Há boca,

lábio, rosto,

que na essência do recente

és uma lacuna morta tão presente no coração.

E todo dia,

em noite fria,

tarde de sol e óculos,

tudo é magia

nesse soluço engraçado

de solidão.

Transcende,

aliás,

pule do espaço alado

e saberás do que falo.

Saberás encontrar-se

dentro desse sorriso,

que encanta

e ilumina

tudo que se esconde no escuro da imaginação.

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Forçou-me

a cometer

um erro

para

sempre.

Forçou-me

a viver

com peito

cheio

de amor

indecente.

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Quebrar a barreira do seu dia.

Entrar para sempre no seu boa tarde.

Equilibrar cabeça para não perdê-la.

Sobrecarregar o egoísmo de gratidão.

Mudar de voz e ficar mudo para sempre.

Defeito meu de sempre conseguir saber outras chantagens sobre você.

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Arrepio

O arrepio,

de tão forte que vem,

não gera estranheza no corpo…

…………………………o projeta para o infinito dos sentimentos de prazer mítico,

sem Deus,

com anjos, às vezes,

do jeito que quiser

e dependência de como se sente a transmissão.

O arrepio,

ao entrar no coração,

transmite raios de loucura,

de insanidade,

fazendo-o amar incondicionalmente…………………………..

toda e qualquer forma de boca e seus dentes de alucinação.

É, arrepio!

Tu és pureza,

na descarga da alma em pele,

na passagem da alma pelas milhares de bolinhas………………………..

que brincam de entregar sensações tão profundas quanto a própria alma.

Não há quem não seja indefinido no arrepio.

Não há quem não se esfrie,

Se esquente.

 Paralise por ele.

Arrepiante

Publicado: julho 22, 2013 em @poetarafael

Irritado, 
abriu porta e
fugiu abraçado,
calangando,
iluminando asfalto
com sua faca
apontada para o céu.

Chorou o céu,
Perdia o véu de
um prazer em reza pura.
Meio calma,
meio escura,
Amor solitário,
confidente,
de poesia em papel.

Agora ao léu,
o céu respira puro
o sentido dos versos.

Respira sonhos
adversos.
Vê caminhar
aquele que um dia
amou sem cuidar.

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Netuno,

na descoberta dos seus olhos,

e eu prezo, entorpecido,

no seu pescoço de perfume antigo,

no sabor vermelho

de tanta vontade de me marcar em você.

 Um grito,

dois sustos e tapas,

e a gargalhada desta boca tão cheia de sorriso,

com dentes que se confundem

com o paraíso.

 Abraços,

outros dois mil olhares profundos,

um no outro,

e o universo todo e só nosso, como sempre.

Hoje, com dor, penso:

saudade és como horizonte, todo dia estende-se pela alma e se vai dormir com a calma.

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Uma luz, e aí tenho um motivo para abrir os olhos neste dia tão intenso de sol.

 Tenho como procurar algo que se faça tão abrangente como toda essa gente que está por um triz para explodir seus desenhos e variações de vida sofrida.

E assim sou.

A mística maior que é falada, bem baixinho, nas vozes de revelação e de carinho.

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Novo estalo!

Cinco para as quatro da tarde, nas últimas três vezes que trouxe duas pedras nas mãos, um coração se acelerou a morrer.

 Então, deixe de lado o vão do alvo da alma,

o laço e o abraço.

 Faça uma escolha para inibir a palma desta mão que acena em despedida,

que sua pelo nó da lombriga aterrorizante em boca de um estômago vazio.

 Refresque o jeito,

as duas luas,

os dois medos, tudo com água de soluço,

água de lágrima…

 …de alegria por nos ver ficar ainda mais tempo juntos.

 Fique mais outras tantas horas comigo.

Publicado: outubro 9, 2012 em @poetarafael

Depois de muito trabalho, esforço e ajuda de amigos, eis o projeto. Nova linguagem poética nas atuais comunicações sociais. O livro “Pequenas Utopias – part. 1”, do @poetarafael, nasce para dar continuidade a esse estilo único de se escrever, entrelaçando-o aos curtos, objetivos e diretos textos da internet. Vale muito conferir essa nova proposta de poesia, ainda pouco vista no Brasil.

 

Adquira seu livro online, formato PDF.

Valor: R$ 10,00

Forma de pagamento: depósito ou transferência (por enquanto)

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Agência: 1824-4

Conta Corrente: 17191-3 – Rafael Silvestre de Moraes

 

Após o pagamento, encaminhe um e-mail para rafael_jornalismo@hotmail.com com o número do documento para comprovação.

 Comprovada a transação, você receberá o livro em formato PDF.

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SINOPSE

Pequenas Utopias 
Um livro de poesias na nova linguagem das mídias sociais

Acompanhar a comunicação da sociedade atual é turbinar a alma, os sentidos e os dedos dentro de uma leitura objetiva e rápida. Consomem-se a informação, a leitura, tudo, de maneira dinâmica, às vezes, sem profundidade que se merece.

Mas há como navegar por esses mares de águas rasas, ancorando, de fato, na imensidão de alguns pensamentos rápidos e introspectivos. A poesia, no seu transcorrer de formas, há séculos se adapta às maneiras mais diferentes de textos, como no caso do “Pequenas Utopias”, primeiro livro de poesias do jornalista Rafael Silvestre.

O livro mergulha em caracteres permitidos pelos atuais meios de comunicação e se condensa ao infinito das interpretações do dia a dia. Pequenas Utopias é um mundo de grandes sensações e poucas palavras.

Pequenas Utopias é o livro de estreia do jornalista Rafael Silvestre. Ainda sem editora, o projeto divide-se em três contextos internos (Surtos, Sentimentos e Vontades) e está disponível em formato PDF.

Publicado: outubro 9, 2012 em @poetarafael

A linha da lembrança

Eu não tinha nada, apenas o vento, dois passos e risadas. Tinha dois amigos, três lembranças e outras mil ideias para um mundo melhor. Corria para entender a vida, na praticidade de uma infância feliz. Brincava de ser esquecido, tendo como meta o esconderijo em dias de chuvas.

Não tinha muita coisa, havia mesmo o escorregar de lápis e caneta em folhas do conhecimento, o desejo arredio pelo cheiro ao vento, de tantas vontades e carinhos que se cruzaram em anos de aprimoramento.

Escondido em uma música, agora, descubro que passos foram dados, que vontades ficaram no tempo e que tudo isso está à tona quando da agudez de um sentimento acordado, revirado, tudo por dois bons ouvidos.

A vida não esconde nada, atribui ao futuro os melhores dos desejos, a lembrança, o seu beijo, a distância, novos enredos, a esperança.

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Há esconderijos dentro do abismo de nossas almas

Há esconderijos dentro do abismo de nossas almas. Por lá ficam o tempo todo as persistências em se querer sorrir, em não abrir-se em perdão. Moram por lá quase tudo que promulga a ávida sensação por mudanças.

Já no esteio da fuga pelo perdão, existem singelos gestos de quase escuridão, das que processam quase de forma igual os sonhos dos esconderijos dos abismos da alma. São mais que uma quando olhadas em cruz e com pureza.

Saem por entre as letras, soltos proliferadores de destinos, uns mais que outros, em aromas transvertidos em letras embaraçosas, rancorosas por vezes, no cantarolar de sadia música em despedida.

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Às flores

Às flores, a graça de dois amores, em beijos suaves, provocantes, provocadores.

Às flores o azul, o vermelho e dois sabores, em boca de lábios claros, secos, tentadores.

Às flores, o arrepio ardil de desejos sedutores, transcendentais, enlouquecedores.

Às flores, dois copos com água, um punhado de terra, e dois minutos das mil cores.

Às flores, simplesmente elas, as flores.

Publicado: agosto 14, 2012 em @poetarafael

Vou lutar por você

Se no dia, ou no sono, se na noite ou no outono. Vou lutar por você, na atmosfera do meu prazer, de todo lado infantil para assemelhar-me ao seu jeitinho tão frágil, de ouro, gentil.

Vou transformar meus passos em vultos descalços, promovendo um caminhar de mudança no que te afeta na lembrança, no olhar de lágrimas e de criança, que por ora vem se perdendo em meio a conflitos e veneno.

Vou tornar-me a paz, o jardim e o tenaz jeito fácil de lhe dar vida feliz, nem que para isso perca a presença, a calma e a potência de um beijo de paixão a sorrir.

Vou prover desafios, noites a meio fio e arrancar essa dor que te aflige no mais estrondoso tremor. Para isso, meu caro companheiro, terei de romper com o medo e flutuar em anseios primitivos, doces, tão seus quanto meus. Mais seus do que meus. Totalmente seus e de outro, que sofre como ti.

Tenho a força provocante, o lábio delirante e a alma de um irmão. Por isso serei o seu novo chão nessa sua batalha constante de se tornar feliz. Vou te fazer feliz nem que para isso perca para sempre o perdão.

Vem comigo e procure acalmar-se no meu abraço, que de tão quente te protege e te deixa valente. Estamos juntos, amigo, parceiro, meu pequeno segundo mundo, meu pequeno guerreiro.

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Não tenho total plenitude sobre o meu merecer

Não tenho total plenitude sobre meu merecer.

Às vezes noto-me solto em uma loucura qualquer.

Afim, mesmo, estou para algo que possa trazer.

Silêncio profundo em sorrisos de uma mulher.

Fostes sorrisos os afago de sua alma a mim,

Estaria em paz, torcendo os olhos em alegria.

Mas, como canção de um destino sem fim,

Me tornei um estranho em ninho de sua magia.

Ao vento, me entrego à solidão de dois prazeres.

Que construí ao deitar-me para o calor de um amor.

Espero conseguir, um dia, ainda lhes ter a mereceres.

Um perdão provido de desistência e lúcido de sabor.

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Eis a Volta da Vida

Eis a volta da vida, singela, querida, às vezes para mais outras vezes antigas, velhas, que não soubermos imaginar.

Gira mundo de um jeito leigo, que potencializa descobertas, faz da fala desejo em cobertas em dia frio, de paixão a dois. Gira mundo, gira fácil, se perde do eixo imaginário da contramão, acabando por viver a vida girando, girando, sem padrão.

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Saudade

Saudade na idade, na criação da amizade, saudade de rosas e vermelhas em bochechas de vergonha. Saudade da primeira e segunda sensação, da sua e da minha falta de paixão, do doce desejo de um beijo de solidão.

Saudade de uma despedida de vontade, de maneira sutil, a dois, a mil, saudade de seu rosto sujo, calmo, curvo, de pele de tempo em tempo se perdendo.

Saudade de um fim afim, de noites de sustos, de calor e sabor nos lábios. Saudade de uma linda certeza, que na beleza se faz lembrança, alimentando a esperança do fim de qualquer saudade.

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O medo é a calma

O medo é a calma, do lado avesso da imaginação.

Nas águas das lágrimas, fogo como de costume, sempre e raro, na escuridão clara dos teus advérbios.

No sorriso, choro trêmulo, de risada bem profunda, invertida, rasa. Do seu olhar a cegueira do ar, que te enche pulmões em respirar de carinho e agressão.

Se não fosse a imperfeição, a veria linda, bela, na ilusão do meu pensamento racional.

Mas sou sentido abstrato no prato imundo de forte solidão.

Publicado: julho 14, 2012 em @poetarafael

Cegueira

Morreram meus olhos. Pararam de enxergar tamanha falta de azul do céu, o flutuar das mariposas, o bocejar das crianças.

Morreram em nome de um mundo diferente, traduzido debaixo de mesas em esconderijo secreto para alma.

A fiel fomentação da indelicadeza pronunciou-se em boca de olhos mortos, que não mais enxergavam a própria vergonha criada.

Ao passo dos olhos mortos, uma vida morria, dois desejos nasciam, e a escuridão escorregadia em lágrimas de tristeza se habituava a não mais ser apenas parte, mas o todo.

Morreram meus olhos, agora, escuros para sempre.

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Sabe-se

Sabe-se que nas mais antigas vidas, o correto era apenas mais um atributo da alma.

Sabe-se que diante à hemorragia do perdão, existe uma atmosfera de razão e dor.

Sabe-se que além de cada sentimento, existe a tristeza de não tê-lo mais adiante.

Sabe-se que na poeira das angústias se cria o amor em forma de líquido inconsciente.

Sabe-se que nas carícias providas da Lua, o Sol fica anestesiado que nem qualquer vida.

Sabe-se que dos prazeres ditos nos ouvidos, nada pode ser levado a sério no coração.

Sabe-se que na atual transferência do sonho, o pesadelo se faz presente nos aflitos.

Sabe-se que nada é mais justo que se apaixonar e viver tranquilamente consigo.

Sabe-se que o coração tem sangue vermelho e dores de todas as colorações.

Sabe-se que antes mesmo de sermos felizes, nascemos com a dor da luz nos olhos.

Sabe-se que os infinitos das novas emoções se criam fracas sugestões, para surgirem como no passado.

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Sorriso

Como se fosse uma doce perdição, se perde em meio a lábios de calma, acontecendo sempre diante a olhos alarmantes de desejo e imensidão. Mas, se por trás existem saídas, seu sorriso fácil alimenta vidas, da amizade carinhosa que nos acomete de montão.

Ter sorriso solto, calmo, envolto, faz do abraço coisa fácil, que simplesmente dá alento ao coração. Porque disso, da imaginação, não se pode ter sorriso e sim o indeciso, viajante nato daquele estranho ar de paixão.

Perfeito, seu sorriso é do seu jeito, o que mostra sempre sua alma em bocejo, em amor, em beijo.

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Rastro de esperança

Sempre procurei achar restos de fugas utópicas. As encontrei em delírios falsos, insanos, que só alimentavam calor de minutos. Satisfação que provia de rasteiras momentâneas da vida.

Não tão velho, nem tão jovem, no parelho tempo e em cima do muro. Sentado. Risco calculado nos vermelhos doces da vida. Fosse infinito estaria puro, hoje, de coração. Mas estou de emoção.

Esta que se acende em dias de reluta, de frio rio, de capacidade ao avesso. Consigo enxergar em gestos o que alimentei totalmente para se acabar. Fiz assim, por diversas vezes, mas fiz de alma limpa.

Hoje respinga em mim gotas de profundo amor. De sorte, de raiva, mas de carinho. Em restrito ambiente, navego mares costumeiros. Perfuro retas, metas, cultura. Encontro ninhos de saudades futuras. Tenho-as como certas para mim e ponto final.

Quero provar que de futuro o Sol e a Lua vivem. E vivem bem. Pulo e pulos transmitem ao mais insano o caminho das maluquices. E conseguem transferir.

Publicado: maio 10, 2012 em @poetarafael

Paz

O encanto da paz motiva as flores a terem mais flores, o sol sair com força e os pássaros a cantarem sem medo, mesmo em tarde de dia triste.

A imensidão da paz cativa amores, transforma amadores em artistas dos seus fomentos, transfigura a raiva em pedaços pequenos, para do vento fazerem moradia para o infinito do céu.

Ter paz é amanhecer com olhos puros e verdes, bem como castanhos e azuis. É ter você eu e nós, verbos, números e crianças, como que porventura cachorros e gatos.

O carinho da paz condiz com as necessidades do bem ao próximo. Paz amiga é profundeza de desejos a todos. Respiro primeiro de um ser e abraço ancião da experiência.

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A volta da poesia

 Hoje não tem música, nem amor, nem desejo. Aliás, saudade, cheiro e sofrimento. Não sabia que flores fossem tão profundas em lembranças de chão de pedra. Vai ver que foste apenas um olhar em imagem de vida, de sorriso solto, antigo, envolto ao engodo tempo presente. Natural, reluzente. Assim é a poesia, caminha ao lado da tristeza e da demasia, tornando se labirinto entre os dedos e no coração!

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Abri os olhos

 Desejo-te o invisível, para fingir-se escondida quando a noite chegar.

Desejo-te pétala, a voar no contar do bem-me-quer, mal-me-quer.

Desejo-te doces, salgados, no equilíbrio sincero dos seus pecados.

Desejo-te um pouco de ar, apenas, quando for olhar-se no espelho.

Desejo-te boa tarde, boa noite e bom dia, nessa ordem mesma!

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Acorde bem cedo

Acorde bem cedo, mesmo agora sendo um modesto tempo, e relembre os deliciosos caprichos da vida. Esqueça completamente o chão de frio teor, quando deitara em dias frios para tentar se recompor. Lembre-se devagar o vagar insano que se transfigurava em noites de lua cheia.

Esqueça tudo. Hoje é dia de dizer adeus às lembranças. Delas, apenas, guarde o sentimento de que existiram, em um tempo só seu, como de costume e de ilusão. Foram seus, flutuando na imaginação tardia que trouxera bem antes mesmo de pensar nesse tal de futuro desastroso.

Eternamente, nossas lembranças confirmam nossos sonhos. Enchem-se de saudades e firma a necessidade de se ter apenas esquecimentos momentâneos. Rápidos, indecentes, novamente postos como certos. Pode pensar, sim, os valores que de fato fazem sua vida valer a pena. Relembre isso, agora mesmo.

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Adocicada

 Adocicada, a brisa moldou as minhas lágrimas ontem à noite. É, estava ali sentando, contando estrelas que acabavam de inaugurar aquele céu profundo. O vento suave transportou, ao chão, mais uma gota de saudade daqueles seus pequenos gestos de vida.

Puxa vida – por que aquela noite ficaria tão pesada? O céu estava puro, brilhante. Não poderia ficar ali me dando utopias, desejos do que já não mais seria real. As lágrimas já escorregavam com os soluços, aspirando pensamentos, esses que guardei nas antigas estrelas e que ontem resgatei.

Com alguns nós na garganta, fiquei ali até tarde. Não sabia fazer mais nada, apenas chorar. Chorava muito, mesmo sem dizer algo. Queria achar resposta no destino sem solução. Acho que é egoísmo isso tudo. Mas nem me lembrei que fosse isso.

Flutuei em alguns minutos, parecia transe em atmosfera sem ar. Era o ponto maior que me saltou ás vistas, a lua aparecendo para concluir, comigo, que a resposta era a mesma.

Imaginei que tivesse medo da noite, mas aprendi que aquela brisa foi um assopro daquela lua, primazia do anoitecer, que me fez ter olhos fechados naquele momento.

Isso porque já não tinha mais nada.

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Adoro poesias

Adoro fazer poesias, com sorvete de flocos e sabor de melancia, jogado água na cabeça, na incerteza de te ver um dia, em tarde de sol escondido.

Fazer-se escrever acalma a minha mão, que fica a sentir o chão quando planto bananeira, brincando a tarde inteira na ilusão da tarde fria.

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Afundar

 Afundar, em rodopios na queda livre que o corpo faz aqui de cima. Sentadinho, de pernas cruzadas a balançar vejo o seu girar, em vazão para outros possíveis sonhos.

Sei que não encanto. Perdi o brio, o sabor da vontade de te fazer feliz. Não haverá dor, veja bem, não há fim nesse descer, você bem que percebe isso.

O coração daqui de quem se acostuma com o branco bate em rápidas alterações. Parece mesmo e totalmente sóbrio que se quis assim o destino. E quis mesmo.

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Álcool

Álcool, para limpar meus sustos e braços com sangue. Hoje te matei com olhos famintos de futuro. Matei e rompi com aquilo que me corroia em latitude e longitude.

Nem tive tempo de trazer envoltos teus braços. Desfaleceram assim que te fiz vida eterna. Fiz atmosfera, fiz calor e frio. Seu olhar me procurava respostas sujas enquanto eu tentava me limpar com álcool.

Tranquei o susto, o inferno, o medo. Não era tempo para isso. O novo me suprimia o peito e trazia você constantemente. Memória que girava sem destino, sem luz e com o álcool travando as esperanças.

De cabeça fora da janela, procurei a lua que se escondia atrás da camada grossa de nuvens. Não gerou primazia naquela noite. Culpa dela, minha, sua, que esquecera quem fora eu.

Lembrou de mim, agora? – esfriando seus dedos de calor nas minhas aterrorizantes  chamas. Noites e dias, trazia-se como pingente em corpo de todas.

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